Terapia de Transformação Acelerada

Qual o seu propósito?

A Terapia de Transformação Acelerada tem o propósito de estabelecer uma relação duradoura com nossos pacientes, discriminando a problemática de quem nos procura com o objetivo de alcançar a finalidade terapêutico adequada a cada sujeito bem como afirma Bucher (1989) sobre os objetivos da Psicoterapia. As intervenções baseiam-se nos processos de aprendizagem prática existindo assim nove desdobramentos possíveis para tal, quais sejam, científica, de conserto, de manutenção, de consulta e de perícia, de ajuda, pedagógica, sugestiva e de apoio interpessoal subjetiva.

Neste sentido, a Terapia de Transformação Acelerada tem caráter científico por ser demonstrativa e didática com o propósito de atingir maior grau de objetividade possível. Porém não é experimental visto que as ferramentas, técnicas e metodologia aplicadas já são validadas na comunidade científica e os interesses da TTA são exclusivos dos paciente e não de um levantamento teórico.

Ela possui também um propósito de concerto uma vez que esta solicitação vem com o paciente no início do tratamento, para o concerto de algo que não está bem para ele.

Diferente de muitas outra Psicoterapias deste aspectos que segundo Bucher (1989) não levam em consideração a situação existencial da pessoa, somente a questão a ser consertada e cria mudanças superficiais e pouco duradouras,  a TTA – Terapia de Transformação Acelerada busca na análise sistêmica uma visão global da situação atual do paciente, com o desejo de ambas as partes de atingir a Transformação Acelerada, o que nos garante um processo rápido, eficaz e duradouro, com um vínculo terapêutico pouco intenso e de curta duração que permite que não haja dependência prolongada nem dificuldades de separação do vínculo terapeuta-paciente. 

O caráter de manutenção entra para garantir a fixação e permanência duradoura dos processos trabalhados durante o tratamento, porém é mais parecida com o fundamento da relação de apoio psicológico uma vez que é composta por estratégias específicas. Na maioria dos casos ocorre em um tempo limitado e restringe-se ao alcance dos objetivos propostos inicialmente.

A relação de ajuda invoca a relação psicológica não psicoterapêutica com caráter caritativo ou paternalista que impõe dependências, submissões passivas e sentimento de inferioridade à parte ajudada, caráter este, não abordado na TTA, uma vez que o próprio paciente deverá estar disposto a trilhar o caminho e encarar a realidade por ele mesmo trazida nas sessões.

Este é um fator determinante para indicar a possibilidade ou não de que seja feito o tratamento. Uma vez que fique claro que este paciente não está disposto, a Terapia de Transformação Acelerada não poderá intervir. 

A relação pedagógica implica numerosos componentes ideológicos tal como a relação de ajuda implica relacionamentos hierarquizados, onde o psicoterapeuta ocupa um lugar de suposto saber na relação psicoterápica como na relação professor aluno, denotando uma submissão ao saber do psicoterapeuta. Porém, em oposição à relação de ajuda em que o interesse é a manutenção da hierarquia, na relação pedagógica há investimentos na emancipação do paciente enquanto sujeito pleno de seus desejos.

Já a relação sugestiva surge no sentido de concretizar tanto a terapia, as técnicas de aprendizagem terapêuticas, bem como exercícios de propósito terapêutico propostos no tratamento. Para este propósito utilizamos tanto a hipnose, a linguagem hipnótica, quanto o  reframing. 

E por último, mas não menos importante, ocorre a relação interpessoal subjetiva representada pela relação psicoterápica propriamente dita. Acerca da Psicoterapia, Bucher (1989) afirma que “ao prosseguirmos trabalho psicoterápico, os conflitos oriundos dos recalcamentos vêm à tona, os elementos conflitantes podem ser detectados, reconhecidos e integrados, e as divisões internas da pessoa diminuem, permitindo convivências harmoniosas” (p.117).

Dentre a dinâmica de todas estas características, a Terapia de Transformação Acelerada tem então, como seu próprio nome diz, o propósito de Transformação Acelerada com caráter científico, de conserto pedagógico-sugestiva, com aplicação de manutenção de apoio interpessoal subjetiva.

Este processo, segundo Bucher (1989) é desencadeado quando

1) se estabelecer uma relação (psicológica) entre os participantes que se comunicam;
2) se esta relação não se limitar a contatos superficiais, como trocas de informações, amenidades sociais ou conversa de passatempo, mas tornando-se realmente “interpessoal”, possibilitando intercâmbios profundos (embora assimétricos);
3) se chegar a tocar e mobilizar a subjetividade de cada um, propiciando o afloramento do material conflituoso subjetivo do paciente e proporcionando atitudes de intervenção adequada da parte do terapeuta (p. 139).

Desta forma procede com propósito a Terapia de Transformação Acelerada.

Referências
BUCHER, R. A psicoterapia pela fala: fundamentos, princípios, questionamentos. São Paulo: EPU, 1989.
CORDIOLI, A. V. Psicoterapias: abordagens atuais. Porto Alegre: Artmed, 2008.